Saúde e Sexualidade Juvenil

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  Gravidez na adolescência Gravidez na adolescência
Conteúdo com informação relativa à vivência da gravidez na adolescência

A adolescência implica um período de mudanças físicas e emocionais que é considerado, por vários autores, como um “momento de crise”. Não podemos descrever a adolescência como uma simples adaptação às transformações corporais, mas sim, como um importante período no Ciclo de Vida, que corresponde a diferentes mudanças, tanto a nível social e familiar como sexual.

Uma gravidez indesejada na adolescência ocorre por várias razões: porque o método contracetivo falhou ou pela má utilização do mesmo; porque não se utilizou qualquer proteção durante as relações sexuais; por falta de informação; pela existência do pensamento mágico de que “só acontece aos outros” ou, ainda, por crendices e mitos à volta das relações sexuais como, por exemplo: na primeira vez não há risco de ficar grávida ou quando “se faz de pé” não há problema!

Existem, também, gravidezes que são desejadas durante a adolescência e que são determinadas por padrões culturais ou por questões mais complexas como, por exemplo, o sentir que estando grávida se consegue o amor do namorado; a fantasia de que a gravidez lhe trará mais afeto, atenção por parte dos outros; como forma de sair de casa dos pais mais rapidamente ou até mesmo pela idealização de que o bebé lhe trará o “papel da sua vida”.

A decisão de ter um filho implica ponderação e diálogo sobre a responsabilidade de o ter, sobre a forma como um filho altera completamente a nossa vida e sobre as coisas de que é preciso prescindir depois da maternidade/paternidade.

Se existiram relações sexuais desprotegidas - pelos mais variados motivos - e a menstruação não apareceu na altura em que deveria surgir, não vale a pena entrares em pânico, mas também não adianta “fingir” que não é nada. É preciso refletir um pouco sobre a situação e avançar para um teste de gravidez!

Este pode ser comprado na farmácia e levado para fazer em casa (com a primeira urina da manhã) ou então pode ser feito na própria farmácia (levando a urina num recipiente esterilizado). Podes ainda fazer o teste no Centro de Saúde numa consulta de Planeamento Familiar ou num Centro de Atendimento a Jovens.

São muitas as raparigas e rapazes que já passaram por este tipo de experiência, sentindo certamente o mesmo pânico, os mesmos medos, tendo as mesmas dúvidas, as mesmas preocupações e partilhando a mesma esperança de que o resultado vai dar negativo e que tudo “não passou de um susto” ou que “felizmente desta escapámos”!

Desta vez tiveram sorte, mas é importante lembrar que nem sempre a sorte anda connosco. Após esta experiência, é importante pensarem no método contracetivo que melhor se adapta a vocês e que não vale a pena correr riscos desnecessários.

Devem marcar uma consulta de Planeamento Familiar, quer no Centro de Saúde da área de residência ou outro, dirigirem-se a um Gabinete de Apoio a Jovens ou ligar para a Sexualidade em Linha, no caso de haver alguma dúvida quanto ao método que utilizam ou para obterem contactos de Espaços de Atendimento a Jovens na área da Sexualidade.

Uma gravidez precoce não planeada implica sempre uma tomada de decisão. Independentemente da decisão que se venha a tomar, é importante procurar o apoio de uma ou mais pessoas, para que esta possa ser uma reflexão ponderada e de forma a conseguir lidar melhor com a situação.

Neste momento surgem perguntas como: “o que vão dizer os meus pais?”, “como vai ser o meu futuro?” ou “será que devemos prosseguir com a gravidez?”. Qualquer que seja a vossa decisão, não deve ser fácil.

Procurem ajuda, falando com alguém da vossa confiança: o pai ou a mãe ou outro familiar, um professor, um amigo. Têm, também, a Sexualidade em Linha, a Linha Opções e a Linha Saúde 24, onde poderão encontrar o apoio de técnicos especializados em Saúde Sexual e Reprodutiva.

Quando confrontados com um teste positivo é natural o(a) jovem sentir uma grande angústia, sentir-se perdido(a), não saber o que fazer, onde se dirigir, com quem falar. Quando toma consciência da situação que está a viver pode ser a altura de todas as dúvidas. O que quer, o que não quer, o que esperava ou não, o colocar tudo em causa, o “desarrumar para voltar a arrumar” todos os pensamentos e sentimentos que o(a) assaltam.

Chega a hora de decidir...

Perante esta situação existem várias opções:

  • Prosseguir com a gravidez e assumir a maternidade/paternidade;
  • Prosseguir com a gravidez e, se esta for levada a termo, colocar o bebé em instituição oficial para adopção;
  • Interromper a gravidez, tendo em conta a legislação em vigor (Lei n.º 16/2007 – artigo 1º). No caso de a rapariga ser menor de 16 anos, o consentimento para realizar a interrupção da gravidez é prestado pelo representante legal.

De acordo com a legislação portuguesa, a IVG não é punível se for efetuada por um médico ou sob sua direção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido, e com o consentimento da mulher grávida, quando:


• Constitui o único meio de evitar perigo de morte ou de grave e irreversível lesão para o corpo da mulher ou para a saúde física e psíquica da mulher grávida;
• Se mostra indicado para evitar perigo de morte e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e seja realizado nas primeiras 12 semanas de gravidez; 
• Houver motivos sólidos para prever que o nascituro virá a sofrer, de forma incurável, de grave doença ou malformação congénita, e for realizada nas primeiras 24 semanas de gravidez, excecionando-se as situações de fetos inviáveis, caso em que a interrupção poderá ser praticada a todo o tempo;   
• A gravidez tenha sido resultado de crime contra a liberdade e autodeterminação sexual e a interrupção for realizada nas primeiras 16 semanas;
• For realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas da gravidez.

Isto é o que a Lei n.º 16/2007 nos diz sobre a IVG. No entanto, deves refletir sobre o que sentes relativamente ao resultado positivo do teste, qual o impacto que uma gravidez pode vir a ter na tua vida e na do teu namorado/companheiro e qual a melhor decisão a tomar neste momento. Ainda que possa parecer complicado e confuso, é possível encontrar uma solução para este problema.

Como acima foi referido, com o apoio da família, do companheiro, de amigos e com a ajuda especializada dos técnicos de saúde, apesar de difícil, podes tomar uma decisão mais coerente contigo mesma, com os teus valores, de acordo com os teus projetos de vida e, sobretudo, tens a opção de tomar esta decisão de forma esclarecida e informada.

Depois de dada a notícia aos pais, podem surgir grandes dificuldades de relacionamento familiar porque, perante o confronto com a gravidez da filha, os pais podem ser invadidos por sentimentos de desilusão, de fracasso, de culpa, de zanga e de grande frustração.

Por outro lado, a jovem pode entrar em conflito consigo própria pela necessidade de integrar a gravidez e a expectativa da maternidade, nos seus projetos e interesses pessoais. O receio das alterações no relacionamento com o seu namorado e em conseguir gerir a relação com o seu grupo de amigos também pode constituir uma grande fonte de stress na rapariga.

Os jovens que vão ser pais deverão ser apoiados de um modo coerente, consciente e realista. O bem estar afetivo é muito importante para a jovem grávida e também para o jovem que vai ser pai, que deve ser ouvido e a quem devem ser criadas as condições para a expressão de sentimentos em relação a si próprio, à gravidez e à alteração dos seus projetos pessoais e profissionais.

É possível continuar a sair com o grupo de amigos e namorar, mas de forma diferente. A gravidez não torna os adolescentes em adultos de uma hora para a outra, mas provoca grandes mudanças no seu ciclo de vida.

É importante a gravidez ser acompanhada por um médico, de modo a ir sendo vigiada a viabilidade da gravidez e o desenvolvimento do feto bem como a saúde da jovem.

Este é um assunto que não deve ser subestimado pelos pais, pelos adolescentes, ou pelos educadores e professores. O rapaz e a rapariga devem ser estimulados a pensar e a viver a sexualidade, não só como uma maneira de sentir prazer com as suas novas capacidades reprodutivas e sexuais, mas também acompanhadas de um conjunto de responsabilidades perante si e perante a sociedade.

 


 

Interromper a gravidez nos termos da lei [ .asp | .pt ]
/SaudeSexualidadeJuvenil/ApoiosLegislação/Paginas/Lei.aspx


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